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ANEMIA INFECCIOSA EQUINA (AIE)
 

A AIE é uma doença viral, causada por um RNA vírus, semelhante ao da AIDS humana. Este vírus, ao entrar no organismo do animal, sofre mutações, formando novas variantes, impossibilitando qualquer tratamento ou vacinação.

TRANSMISSÃO

A transmissão se dá pela picada de insetos hematófagos, como a “mosca dos estábulos” (Stomocys calcitrans) e a “mosca dos cavalos” (Tabanus sp). Outra forma importante de transmissão indireta se dá pelo uso de materiais cirúrgicos, agulhas, materiais de ferrageamento, esporas e outros materiais contaminados.

Já a transmissão direta ocorre no momento da cobertura, com o contato égua/garanhão ou mesmo uma égua prenha pode contaminar o potro via placenta ou colostro.

SINAIS CLINICOS

Os principais sintomas na fase aguda são: febre alta, anemia, petéquias hemorrágicas nas mucosas, apatia, depressão, edema em membros, peito e abdômen.

Na fase crônica o animal pode não apresentar nenhuma evidência clínica ou mesmo chegar a apresentar sinais que podem se confundir com outras doenças, como perda de peso, mas esse animal continua servindo de fonte de infecção, transmitindo para outros animais, sendo a forma mais grave de disseminação da doença.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico é feito pelo “ Teste de Coggins”, uma prova de imunodifusão em Agar gel. A leitura do resultado é feita após 48 horas, tem validade de 60 dias.

O veterinário deve coletar o sangue e fazer o teste em um laboratório cadastrado pelo Ministério da Agricultura. Não se trata de um exame caro, e é obrigatório para se obter a GTA- Guia de Trânsito Animal.

A legislação brasileira de saúde animal considera a AIE como de notificação obrigatória, devendo o médico veterinário comunicar os órgãos de defesa qualquer eqüino positivo para esta enfermidade.

Em caso de exame positivo, o animal deve ser isolado, o exame é repetido, e se confirmada a situação positiva, este animal deve ser sacrificado. A propriedade deve ser interditada, e todos seus animais submetidos a exame. Se estas regras não forem cumpridas, este proprietários está sujeito à pena prevista no Código Penal Brasileiro e as normas da Defesa Sanitária.

PREVENÇÃO

A prevenção é a parte mais importante para evitar a disseminação dessa grave doença, que pode acarretar em grandes perdas econômicas e afetivas. As principais maneiras de evitar o contágio são:

- Exija exame negativo para qualquer animal que entrar em sua propriedade

- Peça ao seu veterinário que faça exame regularmente em sua tropa

- Caso seu animal fique em estabulagem de aluguel, cobre do proprietário que tenha os exames sempre em ordem

- Não reutilize seringas e agulhas, esses materiais são descartáveis!

Dra Maria Rita Azevedo Fagundes
CRMV/SP 15.605

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rita_vet25@yahoo.com.br

 
 
A REPRODUÇÃO NOS EQUINOS
 
Vivendo no meio do cavalo há um certo tempo, percebo que as maiores dúvidas dos proprietários estão na nutrição e reprodução. Nesta matéria, vamos tratar da reprodução de uma forma ampla, abordando alguns temas importantes. Claro que alguns dados variam de acordo com a raça, aptidão, saúde do animal e rotina da propriedade.

QUANDO INICIAR O ANIMAL NA VIDA REPRODUTIVA

Os potros entram na puberdade aos 18 meses de idade, mas só devem ser iniciados na reprodução após os 30 meses de vida. As fêmeas devem ser cobertas, pela primeira vez, com 2,5 a 3 anos de idade, para que o primeiro parto ocorra entre os 3,5 e 4 anos, quando a égua está madura e tem seu completo desenvolvimento. O pico de maturidade e fertilidade das fêmeas ocorre entre os 4 e 15 anos, e os machos podem estar férteis até os 22 a 24 anos. Geralmente as éguas só aceitam serem cobertas durante o cio, período que estão preparadas para serem fertilizadas. O cio ocorre, em média, a cada 21 dias, dura de 7 a 9 dias, e a ovulação* ocorre mais ou menos 2 a 3 dias antes do término do cio. (*)ovulação é o período fértil propriamente dito, quando o óvulo está pronto para ser fecundado. Sinais de cio: a égua fica mais agitada, procura o macho, há aumento no número de micções, a vulva fica mais congestionada e faz um movimento de abrir e fechar, a cauda fica levemente levantada, diminui o apetite. A urina apresenta um odor característico que atrai o macho.

ÉPOCA DO ANO


Primavera e Verão são as épocas escolhidas para a “Estação de Monta”. Coincide com o final da temporada de exposições e provas, além das melhores condições de clima e pastagem. Na primavera também ocorre o aumento da luminosidade, aumentando também a produção dos hormônios responsáveis pela reprodução. Essa concentração de nascimentos em uma determinada época do ano pode ser bem complicada. Então o ideal é “diluir” as coberturas, para que os nascimentos ocorram em diferentes semanas, facilitando o manejo, cuidados com o parto, curativos no umbigo, alimentação.

COBERTURA

Aos primeiros sinais de cio, a égua deve começar a ser rufiada, para que se detecte o dia que ela começa a “aceitar” o macho. Quando ela começar a ficar receptiva, faça a cobertura/inseminação a cada 48 horas. Esse intervalo é suficiente, já que os espermatozóides sobrevivem por esse tempo dentro do trato reprodutivo da fêmea. Se ela ovular durante esse período, os espermatozóides estarão viáveis. Quanto aos garanhões, evite mudanças no seu manejo. Procure sempre deixar o trato dele para o mesmo cavalariço, e esse mesmo deve levá-lo para a cobertura. Faça as coberturas nas horas mais frescas do dia, como as primeiras horas da manhã e o final de tarde. Cada propriedade tem seu protocolo de reprodução, mas nos locais de muita demanda, o macho pode ser usado 2 vezes ao dia, 5 a 6 vezes por semana, devendo ter pelo menos 1 dia de folga. Em locais de menor demanda, pode ser usado 3 vezes por semana, em dias alternados.

ESCOLHENDO AS MATRIZES

Teoricamente, os pais contribuem com 50% dos genes da prole cada um. Mas alguns consideram que a fêmea colabora com uma parte maior, já que esta exerce influência física e comportamental no potro, incluindo gestação, nascimento e lactação. Por essa razão, a escolha da matriz deve ser muito cuidadosa. A fêmea deve estar em boa condição corporal (nem magra, nem gorda), vermifugada e vacinada. O calendário de vacinação deve ser combinado com seu veterinário, mas em geral, inclui raiva, tétano, garrotilho, aborto viral, leptospirose e encefalomielite. É muito importante analisar a maior quantidade de produtos de uma matriz, para ter certeza do melhor cruzamento. Boas matrizes têm partos sem problemas, filhos premiados e também produzem bons garanhões.

ESCOLHENDO O GARANHÃO

O animal deve, antes de tudo, ser registrado na Associação de sua raça, assim como a fêmea. Avalie também o maior número de filhos possível e seu pedigree. Atenção aos padrões físicos da raça. O macho também deve ser vacinado e vermifugado, além de ser importante o laudo de um veterinário, atestando sua perfeita condição de saúde e exame andrológico (boa qualidade de espermatozóides e avaliação do trato reprodutivo). Além de todas essas avaliações individuais dos pais, é muito importante estudar os melhores cruzamentos. Nem sempre uma boa égua e um bom garanhão têm características compatíveis. E nunca esqueça que um bom cruzamento não é nada, se não oferecer boa criação, treinamento e alimentação a esse animal, já que 50% das suas características provêm da genética e os outros 50% correspondem ao meio ambiente.
 
Há diferentes formas de reprodução nos cavalos. Discuta com seu veterinário e com outros criadores sobre qual método é mais viável para você.

Aqui vamos discutir de uma forma bem rápida algumas das vantagens e desvantagens de cada método.

COBERTURA NATURAL/ MONTA NATURAL

Vantagens: ainda é o método de maior fertilidade das éguas, podendo atingir até 70%, quando houver um bom acompanhamento.

Desvantagens: custos e riscos no transporte da égua, principalmente quando ela está com o potro ao pé. Quando a viagem é longa, a égua ainda tem que ficar “hospedada” no Haras em que foi coberta, aumentando ainda mais os custos. Em uma viagem longa, o risco de reabsorção fetal é muito grande até os 50 dias de gestação.

INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL (IA)

Consiste na coleta artificial do sêmen, que pode ser utilizado “in natura” ou diluído. Após a coleta, há deposição desse sêmen no trato genital feminino.

Vantagens: diminui o risco de doenças sexualmente transmissíveis; controle de qualidade do sêmen e da égua; aumento no número de éguas enxertadas; diminui risco de acidentes durante a monta; permite que garanhões com algum problema físico realizem coberturas. Desvantagens: altos custos; requer total controle do cio e ovulação, para que se aumente a taxa de prenhez com uma só dose.

 
A IA pode ser feita com diferentes formas de conservação do sêmen:


- A Fresco: o sêmen é coletado por um veterinário através de uma “vagina artificial” e preparado. Se diluído, pode inseminar 3 a 4 éguas. Pode ser conservado por até 2 horas em temperatura ambiente, permitindo que se use um garanhão que fique em uma propriedade próxima. Claro que com o passar das horas a qualidade dos espermatozóides diminui.

- Resfriado: o sêmen é processado e diluído em uma substância contendo açúcares, lipídeos e antibióticos, e colocado em um recipiente resfriado. Deve ser conservado à temperatura de 4ºC e tem validade de 48 horas. A grande vantagem é que pode ser usado quando o garanhão está em uma propriedade longe da fêmea. Mas requer habilidade para manipulação e altos custos, além do transporte. A taxa de fertilização é de 40 a 50%, em média.

-Congelado: o sêmen é preparado e congelado a -196ºC, em tanques de nitrogênio líquido. A taxa de fertilidade não chega a 40%. Geralmente a dose desse sêmen é paga “a todo risco”, ou seja, a fêmea estando prenhe ou não. A vantagem é usar sêmen de animais importados, ou mesmo dos que já morreram.

O controle da ovulação tem que ser ainda mais rigoroso nesse método, além dos cuidados com a congelação e descongelação do sêmen. Se possível, deve-se usar um endoscópio para depositar o sêmen diretamente na entrada da trompa uterina, para aumentar a taxa de fertilidade.
Há ainda a Transferência de Embriões, que podemos abordar em outra matéria.

GESTAÇÃO E PARTO

A cobertura realizada ou a égua inseminada é hora de prestar atenção à gestação. 4 horas após a cobertura, o espermatozóide já está no caminho para a fecundação, e fica nas trompas até o 6º dia, quando desce para o útero novamente.

O diagnóstico da gestação pode ser feito aos 14 dias com o ultrasson e 19 dias pela palpação retal. As éguas gestantes devem ser separadas das demais, e o exame de controle pr ultrasson deve ser feito mensalmente, já que o maior risco de reabsorção fetal vai até os 90 dias.

A duração de gestação de uma égua é de 330-345 dias, podendo chegar a 12 meses quando coberta por um asinino. Próximo ao parto, a égua deve ser vigiada, colocada em uma baia maternidade (mais ampla), com cama limpa e mais macia. A égua demonstra alguns sinais antes de parir, fica inquieta e as mamas ficam cheias de leite/colostro alguns dias antes do parto.

A maior parte dos partos ocorre à noite e, em geral, sem muitos problemas. Mesmo assim deve ser observado, e se houver qualquer dificuldade, talvez seja necessário ajudar o animal. Lembrando que éguas de primeira cria requerem atenção especial nessa hora.

Nascendo o potro, ele tem mais ou menos meia hora para ficar em pé e começar a mamar, já que o colostro é responsável por passar toda a imunidade a ele.

NUTRIÇÃO X REPRODUÇÃO

A “superalimentação” é muito comum na gestação, assim como a suplementação, muitas vezes desnecessária, já que a maior exigência nutricional da égua se dá apenas no terço final da gestação. O que sempre se esquece é que o período de maior exigência é durante a lactação. Por mais estranho que pareça, nota-se que quanto mais gorda está a égua no final da gestação, maior a perda de peso no início da lactação.

A deficiência nutricional é até menos comum nas propriedades onde se cria cavalos, mas é importante citar os problemas que pode acarretar: irregularidade no cio, cio não fértil, abortos, nascimento de potros fracos ou prematuros.

Mas o erro mais comum em animais em reprodução, ainda é o excesso da proteína fornecida. Isso predispõe a um desequilíbrio hormonal, podendo reduzir os índices de fertilidade. Nas éguas gestantes, pode induzir à mortalidade embrionária.

No início da gestação, a égua pode ser alimentada com ração de animais em manutenção, com 9% de proteína LÍQUIDA*. No terço final da gestação é que esse nível deve subir para 12% de proteína LÍQUIDA*.

A mesma coisa acontece com o garanhão, já que níveis altos de proteína podem aumentar os níveis de substâncias tóxicas, aumentando o risco de alterar a qualidade dos espermatozóides. Nos garanhões em estação de monta, os níveis de proteína LÍQUIDA devem ficar entre 12 e 13 %*.

(*)
Os rótulos das rações costumam indicar os nívies de Proteína BRUTA

Por isso que antes de administrar qualquer suplemento para seu cavalo usado na reprodução é essencial o auxílio de um veterinário. Há, sim, suplementos indicados durante esse período, mas nunca os ofereça por conta própria.

Dra Maria Rita Azevedo Fagundes
CRMV/SP 15.605

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rita_vet25@yahoo.com.br

 
 
HiGIENE DO CAVALO
 

A higiene diária do Cavalo é importante, não apenas para sua saúde, mas também para seu bem estar. Seria muita pretensão nossa pensar que apenas os humanos gostam de estar limpos, de banho tomado, usar banheiro limpo, com a higiene pessoal em dia.

Os cavalos também precisam disto e mais, precisam estar escovados, dormir em cama limpa e macia. Pensando dessa forma, não é tão difícil melhorar a qualidade de vida do seu cavalo. Em suas devidas proporções  eles não gostam de nada diferente de nós.

Podemos começar com a cocheira: uma cama de serragem, de preferência do tipo “maravalha” de madeira branca, sem qualquer resíduo químico, deve ser limpa diariamente, e isto não é difícil conseguir. Basta treinar o tratador a adotar algumas medidas básicas.

Pela manhã, devemos retirar as fezes feitas durante a noite e também, o excesso de serragem molhada pela urina. Deixe exposta a parte molhada durante uma hora e pouco, para que seque o chão, evitando colocar serragem seca sobre o chão ainda molhado. Após a remoção da serragem úmida e das fezes, revolva a cama, afofando-a para que fique ventilada, confortável e ventilada.

Cocheira feita, é hora dos cuidados com o Cavalo. Comece com a escovação. Use para isso a raspadeira  na mão direita e a escova com cabo de madeira na esquerda. Do alto do pescoço, use a raspadeira em movimentos circulares contra o relógio, descendo em direção à cernelha, dorso, garupa, barriga (alguns tem cócegas no vazio, portanto cuidado). De vez em quando bata a raspadeira no cabo de madeira da escova para retirar os resíduos de pelo e pó que se acumulam. Passa para o outro lado e repita a mesma operação. A seguir, passe a usar a escova, agora no sentido do pelo, em movimentos vigorosos, considerando que a escovação é também massagem e as duas juntas são importantes porque removem pelos mortos, restos de matéria seca, removem os ácaros e evitam fungos.

Nas partes mais sensíveis como patas, virilha, use apenas a escova. Esse contato diário ainda ajuda no manejo, a retirar cócegas e habitua-lo ao contato conosco.

Chegou a vez dos cascos. O ideal é limpar duas vezes ao dia com o “limpa-cascos”, aquela  ferramenta com uma ponta de metal e uma pequena escovinha de cerdas duras. O animal passou a noite na cocheira e deve haver resíduos de cama úmida, meio ideal para proliferar bactérias e ovos de moscas. Também, ao guardar o animal, limpe novamente após o trabalho ou mesmo depois de ficar solto no piquete, para retirar barro e verificar se não ficaram pedras, pregos ou qualquer outro objeto que possa ferir a ranilha.

O banho deve ser dado após os exercícios, pois além de retirar o suor e sujeira, ajuda a relaxar a musculatura. Use uma mangueira com alguma pressão e shampoo ou sabão neutro. Deixe o animal amarrado em uma sombra para se secar, para evitar que ele role no chão e se suje novamente. Não guarde ele molhado na cocheira, pois a umidade, associada a resíduos e poeira ajuda a proliferar fungos e ácaros. Comece a dar ducha pelos boletos, patas, partes baixas para que acostume à temperatura e pressão da água. No inverno dê banho na hora mais quente do dia.

Uma parte importante que não deve ser esquecida no banho é bolsa escrotal que deve ser limpa com água morna e um lubrificante O acúmulo de secreções na bolsa predispõe a infecções e miíases (bicheiras). Há uma técnica para facilitar a limpeza dessa região, que é muito sensível, portanto, peça a seu veterinário que o ensine na primeira vez, ou poderemos tratar do assunto em um próximo artigo. Nas fêmeas, dê atenção e faça o mesmo procedimento entre as tetas.

Outros cuidados simples de higiene que devem ser adotados são os cochos. O cocho de água deve ser limpor diariamente, para evitar limo. O cocho de comida deve ter cantos arredondados, para evitar que se acumule ração velha, que fermenta e causa cólicas. Avalie sempre se no meio dos fardos de feno e alfafa não vêm pregos e pedaços de arame.

Esses são alguns cuidados simples e baratos, que previnem problemas mais sérios e melhoram a qualidade de vida do seu cavalo.

Além disso, passa haver maior contato com o tratador e com o tempo, um adquire mais confiança no outro
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Dra Maria Rita Azevedo Fagundes
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NUTRIÇÃO EQUINA
 
Alimentação correta  é a que mais se aproximar da vida natural

Para entendermos a melhor forma de se alimentar os cavalos, devemos nos lembrar como era sua vida na natureza. Eqüídeos, em geral, são presas na natureza, estando, portanto, sempre vulneráveis ao ataque dos predadores.

A maneira que esses animais encontraram para se alimentarem com a maior segurança é estando sempre em movimento, se alimentando em pequenas quantidades, durante 18 a 20 horas ao dia, exclusivamente de volumoso (verde, capim) por serem herbívoros.

Colocando os animais para viverem em cocheiras, nós modificamos os hábitos de vida e de alimentação. Mas, alguns fatores referentes à natureza deles, têm que ser respeitados. Um desses fatores, é sua anatomia, já que o estômago é relativamente  pequeno para seu porte (em média 12 litros), e fica em uma posição que não permite que o cavalo vomite. Estes dois itens aliados podem levar a uma sobrecarga e até à ruptura do estômago, se o animal for alimentado em grandes quantidades, de uma vez só, principalmente se a refeição for composta de concentrado (ração).

Para evitarmos os acidentes e oferecermos uma melhor qualidade de vida aos cavalos, algumas regras devem ser seguidas:

1)
      Como oferecer o alimento: O Volumoso (verde) deve SEMPRE ser oferecido ANTES do concentrado (ração), nunca junto. Se for oferecida antes a ração, espere duas horas até dar o verde, isso porque a digestão do verde é mais rápida. Se o cavalo comer ração e logo em seguida o verde, este “empurra” a ração para o intestino grosso mais rápido e o cavalo perde proteínas.

2)
      Quantidade: deve ser levado em conta o porte, idade, atividades, gestação. A teoria do “Mínimo necessário”, não o “Máximo obrigatório” deve ser respeitada, já que tudo em excesso pode ser prejudicial. Em média, um cavalo para sua manutenção necessita de 1,5 a 2% do seu peso em alimento, ao dia, divididos em concentrado, capim verde e feno. Isso corresponde a 7,5Kg de matéria seca para um cavalo de 500Kg. O essencial é que a quantidade de concentrado oferecido por refeição não deve ultrapassar 2 a 2,5Kg. Para o feno, usamos a regra básica de 1 fardo para cada dois animais adultos  ou 3 potros, ao dia.

3)
      Qualidade: antes de receber o feno na propriedade, avalie se não está muito ressecado, se as folhas estão firmes (nelas que estão os nutrientes). Lembre que o barato pode sair caro. O capim que se oferece cortado não pode ultrapassar a altura de 2 metros, pois fica muito fibroso, o animal não digere e pode causar cólica. A ração deve ser procedente de uma empresa idônea, com controle da matéria prima e níveis de garantia (umidade, energia, proteína, calorias, Cálcio, Fósforo...).

4)
      Hora certa: Respeitar sempre os mesmos horários para a refeição, isso evita o risco de úlcera gástrica causada por estresse. De preferência, a última refeição do dia deve ser composta só por volumoso, assim o animal tem com o que se distrair, já que haverá um intervalo longo até amanhecer. Sendo assim, a primeira refeição do dia pode ser composta de ração.  

5)
      ÁGUA FRESCA E LIMPA SEMPRE À DISPOSIÇÃO: já que a falta de água leva o animal à morte muito mais rápido do que a falta de comida. E a água barrenta pode causar cólica por acúmulo de terra no intestino. Um cavalo consome de 15 a 35 litros de água ao dia. Uma égua prenhe consome o dobro de um animal em manutenção.

6)
      Sal mineral diariamente: pois o animal não perde apenas água no suor, perdendo também sais. A quantidade média é de 50g por animal, ao dia, misturados à ração, ou à disposição em um cocho a parte. Prestar atenção, pois alguns animais não apreciam o sabor e acabam não ingerindo.

7)
      Qualquer suplemento deve ser oferecido apenas com supervisão de um Médico Veterinário, já que todo o excesso é tão prejudicial quanto a falta de um nutriente, Seja esse suplemento Vitamínico, Mineral, Protéico, Probiótico, Energético...

8)
      Não submeter o animal a mudanças bruscas na alimentação, uma eventual troca de ração deve ser gradual.

Estes são os tópicos que considero mais importantes, qualquer dúvida, é só mandar um e-mail e podemos discutir o assunto melhor!

Dra Maria Rita Azevedo Fagundes
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CAVALOS ATLETAS - USO DE SUBSTÂNCIAS PROIBIDAS
 
Um pouco da História
O uso de substâncias que provocam bem estar, analgesia e melhora na performance esportiva, é conhecido desde meados de 3000 a.C. Na Grécia Antiga, nos Jogos Olímpicos, 300 a.C., os corredores utilizavam um produto alucinógeno, à base de cogumelos. Nas Batalhas dessa época, era comum os guerreiros usarem substâncias à base de ópio para diminuir a dor e aumentar a coragem diante das batalhas.

Nos animais, a tentativa de melhorar o desempenho dos cavalos surgiu um pouco antes de Cristo, quando os tratadores utilizavam o “Hidromel”, o que nada mais era que uma mistura de mel, aveia e água, aumentando o suporte de glicose e hidratando o animal. Para mostrar ao povo o rigor das leis, o Senado Romano punia com a crucificação o tratador de cavalos que utilizasse o hidromel. A Morfina foi descoberta em 1806, e depois de 10 anos já era usada em cavalos.

Ao longo dos tempos, foram descobertas inúmeras drogas que estimulavam os atletas e diminuíam as dores causadas por lesões. O uso indiscriminado dessas substâncias teve como conseqüência a morte muitos atletas, o que deu origem ao início das pesquisas para descobrir essas substâncias , após as competições esportivas. O primeiro método foi descoberto pelo químico russo Bukowski, em 1910, no Jóquei Clube da Áustria, onde analisava a saliva dos cavalos.
Mas foi durante os Jogos Olímpicos que Tóquio, que um congresso da Unesco iniciou o combate à dopagem, esboçando leis, controles e punições.
(Fonte: Clínica Osmar Oliveira)

E a cada dia ouvimos mais casos de doping em competições esportivas, como nas Olimpíadas de Atenas, onde o cavalo Waterford Crystal foi desclassificado pelo uso de substâncias proibidas, dando a Medalha de Ouro a Rodrigo Pessoa, com o garanhão Baloubet de Rouet.

Mas o que é “Doping” ou Dopagem? É a administração de qualquer substância não permitida, com o objetivo de melhorar a performance esportiva do animal, seja diminuindo a dor de alguma lesão pré existente, seja conferindo maior explosão muscular ou capacidade respiratória. Nunca devemos esquecer que o doping é uma prática desonesta e punitiva, já que os animais devem competir em condições de igualdade, prevalecendo aquele que estiver melhor preparado.

Hoje há milhares de drogas consideradas proibidas, e a cada dia os laboratórios têm que se atualizar para detectá-las. Muitas dessas drogas são usadas rotineiramente no tratamento dos animais, devendo apenas ser usadas fora da época das competições esportivas, outras podem trazer conseqüências graves para a saúde.

Alguns exemplos de substâncias proibidas:

• Drogas ilegais, opióides e estimulantes. Inclui Morfina e Butorfanol. Alguns tranqüilizantes são utilizados para que o animal fique mais tranqüilo durante a competição, mas sem alterar sem nível de consciência.

• Anestésicos locais: Apesar de serem substâncias controladas, podem ser usados fora do período de competição, mas muitas vezes são usados de forma proibida, para bloquear a região atingida por uma lesão, fazendo com que o cavalo não sinta dor enquanto corre. Lidocaína e Xilocaína.

• Medicamentos usados rotineiramente em tratamentos, mas proibidos durante as competições, por afetarem de alguma forma o desempenho do animal: Antiinflamatórios (fenilbutazona), corticosteróides (prednisona), broncodilatadores (clembuterol), diuréticos (furosemida), antihistamínicos (difenidramina), mucolíticos/expectorantes (guaifenesina), vasodilatadores (isoxsuprine) E uma classe dessas substâncias proibidas merece atenção especial, já que constantemente ouvimos casos de jovens que estão até morrendo, por usarem medicamentos veterinários.

• Anabolizantes: são substâncias naturais ou sintéticas derivados da testosterona, usados com o objetivo de aumentar a musculatura e força física. Esses medicamentos existem porque têm sua função, mas como os efeitos colaterais são graves, a maioria das vezes a melhora do físico dos animais não mostra ter muitas vantagens, em relação aos riscos.

Alguns efeitos: hepatotoxicidade, aumento da agressividade, aumento da pressão arterial, parada de crescimento precoce em animais jovens, aumento do colesterol. Quanto à parte reprodutiva, também são notados alguns efeitos: masculinização das fêmeas, diminuição da atividade dos ovários, cios irregulares, atrofia testicular, diminuição da qualidade e quantidade de espermatozóides, entre outros.

Conclusão

Devemos ter consciência das conseqüências do mau uso de algumas substâncias para cavalos de esporte. Primeiro por se tratar de ilegalidade e injustiça com outros animais na competição. Há também o fato de a dor ser uma defesa do organismo, e se acabarmos com essa dor, o animal pode fazer um esforço inadequado e agravar uma lesão pré existente, podendo tirar para sempre o animal do esporte.

Existe uma conseqüência menos comentada, mas não de menor importância, quanto à seleção de animais para a reprodução: uma vez que os animais que recebem essas drogas têm um melhor desempenho, acabam sendo selecionados, viram reprodutores, só que essas características não serão passadas a seus descendentes.

Dra Maria Rita Azevedo Fagundes
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AS VANTAGENS DA MEDICINA VETERINÁRIA PREVENTIVA
 

O custo para se manter um animal é alto, isso todos nós sabemos. Quando se trata de cavalos, há um custo fixo mensal, que inclui estabulagem, alimentação, ferrageamento, cama, tratadores, trabalho, sem contar alguma emergência quando é necessária a presença de um veterinário.

Sem a pretensão de discutir a disponibilidade de gastos de cada proprietário com seu animal, essa matéria tem como objetivo demonstrar que a Medicina Veterinária Preventiva inclui sim alguns gastos iniciais, como a compra de insumos e o acompanhamento de um veterinário, mas que essa quantia é irrisória, quando comparada ao custo de um tratamento (às vezes cirúrgico) e ao risco de se perder o animal. Vale ainda lembrar aquele velho ditado popular "melhor prevenir do que remediar".

A seguir estão alguns exemplos de algumas medidas:

Vacinação: Tétano, Influenza (Gripe), Encefalomielite, e Herpes são exemplos de vacinas não obrigatórias, mas que têm grande importância, uma vez que previnem doenças, que se não forem tratadas podem chegar a ser fatais. O esquema de vacinação depende do objetivo da criação, do local que vive o animal e da disponibilidade de gastos; Esse esquema será tratado em uma próxima matéria.

A vacinação anti-rábica é obrigatória também nos eqüinos, devendo em algumas regiões do Brasil, ser realizada semestralmente, nos meses de Maio e Novembro. É uma doença fatal, que merece total atenção, por ser transmissível aos humanos que mantiverem contato físico com o animal afetado, o que chamamos zoonose.
Sempre que um novo animal entrar na propriedade e iniciar contato com aqueles já existentes, é imprescindível que seja apresentado o atestado de vacinação prévia, assinado por um Médico Veterinário, indicando validade e lote da vacina. Não sendo apresentado o atestado, o proprietário do novo animal deve ser notificado da necessidade da vacinação.

Para que seja garantido o sucesso da vacinação, são necessários alguns cuidados, como a procedência da vacina, a conservação, o exame físico do animal e a aplicação realizada por um profissional qualificado.
Muitas vezes, pessoas com prática acham que podem fazê-lo e até sabem aplicar uma injeção. Mas caso ocorra uma reação adversa, será que sabem o que deve ser feito?
 

Vermifugação: também fazendo parte da Medicina Veterinária Preventiva, a vermifugação tem como objetivo a prevenção de parasitas responsáveis por danos causados aos animais, tais como, perda de peso, má qualidade da pelagem (perda do brilho natural), chegando até a uma cólica de ordem grave.
O esquema de vermifugação fica a critério da propriedade, variando de acordo com o número e fluxo de animais. A média de aplicação é a cada 90 dias, sendo importante a troca do vermífugo, devendo se alterar sempre o princípio ativo, de forma a evitar a resistência do parasita a determinada droga.
Sempre que um novo animal for inserido a um grupo já tratado, vale o mesmo critério da vacina.

Ferrageamento: deve ser realizado por profissional idôneo, de preferência com referências, dadas as conseqüências de um ferrageamento mal executado. A ferradura deve ser trocada em média a cada 30 a 40 dias.

Controle de Anemia Infecciosa Eqüina (AIE): A AIE é uma doença grave, de notificação obrigatória ao Ministério da Agricultura, devendo o animal afetado ser sacrificado e a propriedade fechada por até 6 meses. O exame é válido por 2 meses, e deve ser realizado independentemente da inscrição do animal em provas, mas sempre que um novo animal for inserido na propriedade.

Alimentação: é importante que seja de boa qualidade, bem armazenada, livre de umidade e contato com insetos e redores. O volumoso (verde) também deve ter a qualidade controlada, o feno deve ter coloração verde e o capim deve ser composto de espécies indicadas para eqüinos. O sal mineral é essencial . As conseqüências da alimentação não adequada incluem diarréia, cólica, sintomas nervosos, até a morte. A água deve estar à disposição, limpa e fresca, além do bebedouro ser limpo semanalmente.

Seguidas essas medidas, muitos inconvenientes podem ser evitados, e o custo inicial que parecia ser uma barreira, se mostra irrisório, levando-se em conta os riscos e o custo de um animal doente.

Dra Maria Rita Azevedo Fagundes
CRMV/SP 15.605

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