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ANEMIA INFECCIOSA EQUINA (AIE) |
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A AIE é uma doença viral,
causada por um RNA vírus, semelhante ao da AIDS humana. Este vírus, ao
entrar no organismo do animal, sofre mutações, formando novas variantes,
impossibilitando qualquer tratamento ou vacinação.
TRANSMISSÃO
A transmissão se dá pela
picada de insetos hematófagos, como a “mosca dos estábulos” (Stomocys
calcitrans) e a “mosca dos cavalos” (Tabanus sp). Outra forma importante
de transmissão indireta se dá pelo uso de materiais cirúrgicos, agulhas,
materiais de ferrageamento, esporas e outros materiais contaminados.
Já a transmissão direta
ocorre no momento da cobertura, com o contato égua/garanhão ou mesmo uma
égua prenha pode contaminar o potro via placenta ou colostro.
SINAIS CLINICOS
Os principais sintomas na
fase aguda são: febre alta, anemia, petéquias hemorrágicas nas mucosas,
apatia, depressão, edema em membros, peito e abdômen.
Na fase crônica o animal
pode não apresentar nenhuma evidência clínica ou mesmo chegar a
apresentar sinais que podem se confundir com outras doenças, como perda
de peso, mas esse animal continua servindo de fonte de infecção,
transmitindo para outros animais, sendo a forma mais grave de
disseminação da doença.
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico é feito pelo “
Teste de Coggins”, uma prova de imunodifusão em Agar gel. A leitura do
resultado é feita após 48 horas, tem validade de 60 dias.
O veterinário deve coletar o
sangue e fazer o teste em um laboratório cadastrado pelo Ministério da
Agricultura. Não se trata de um exame caro, e é obrigatório para se
obter a GTA- Guia de Trânsito Animal.
A legislação brasileira de
saúde animal considera a AIE como de notificação obrigatória, devendo o
médico veterinário comunicar os órgãos de defesa qualquer eqüino
positivo para esta enfermidade.
Em caso de exame positivo, o
animal deve ser isolado, o exame é repetido, e se confirmada a situação
positiva, este animal deve ser sacrificado. A propriedade deve ser
interditada, e todos seus animais submetidos a exame. Se estas regras
não forem cumpridas, este proprietários está sujeito à pena prevista no
Código Penal Brasileiro e as normas da Defesa Sanitária.
PREVENÇÃO
A prevenção é a parte mais
importante para evitar a disseminação dessa grave doença, que pode
acarretar em grandes perdas econômicas e afetivas. As principais
maneiras de evitar o contágio são:
- Exija exame negativo para
qualquer animal que entrar em sua propriedade
- Peça ao seu veterinário
que faça exame regularmente em sua tropa
- Caso seu animal fique em
estabulagem de aluguel, cobre do proprietário que tenha os exames sempre
em ordem
- Não reutilize seringas e
agulhas, esses materiais são descartáveis!
Dra Maria Rita Azevedo Fagundes
CRMV/SP 15.605
e-mail:
rita_vet25@yahoo.com.br
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A REPRODUÇÃO NOS EQUINOS |
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Vivendo no meio do cavalo há um certo tempo, percebo que as maiores
dúvidas dos proprietários estão na nutrição e reprodução. Nesta
matéria, vamos tratar da reprodução de uma forma ampla, abordando
alguns temas importantes. Claro que alguns dados variam de acordo
com a raça, aptidão, saúde do animal e rotina da propriedade.
QUANDO INICIAR O ANIMAL NA VIDA REPRODUTIVA
Os potros entram na puberdade aos 18 meses de idade, mas só devem
ser iniciados na reprodução após os 30 meses de vida. As fêmeas
devem ser cobertas, pela primeira vez, com 2,5 a 3 anos de idade,
para que o primeiro parto ocorra entre os 3,5 e 4 anos, quando a
égua está madura e tem seu completo desenvolvimento. O pico de
maturidade e fertilidade das fêmeas ocorre entre os 4 e 15 anos, e
os machos podem estar férteis até os 22 a 24 anos. Geralmente as
éguas só aceitam serem cobertas durante o cio, período que estão
preparadas para serem fertilizadas. O cio ocorre, em média, a cada
21 dias, dura de 7 a 9 dias, e a ovulação* ocorre mais ou menos 2 a
3 dias antes do término do cio. (*)ovulação é o período fértil
propriamente dito, quando o óvulo está pronto para ser fecundado.
Sinais de cio: a égua fica mais agitada, procura o macho, há aumento
no número de micções, a vulva fica mais congestionada e faz um
movimento de abrir e fechar, a cauda fica levemente levantada,
diminui o apetite. A urina apresenta um odor característico que
atrai o macho.
ÉPOCA DO ANO
Primavera e Verão são as épocas escolhidas para a “Estação de
Monta”. Coincide com o final da temporada de exposições e provas,
além das melhores condições de clima e pastagem. Na primavera também
ocorre o aumento da luminosidade, aumentando também a produção dos
hormônios responsáveis pela reprodução. Essa concentração de
nascimentos em uma determinada época do ano pode ser bem complicada.
Então o ideal é “diluir” as coberturas, para que os nascimentos
ocorram em diferentes semanas, facilitando o manejo, cuidados com o
parto, curativos no umbigo, alimentação.
COBERTURA
Aos primeiros sinais de cio, a égua deve começar a ser rufiada, para
que se detecte o dia que ela começa a “aceitar” o macho. Quando ela
começar a ficar receptiva, faça a cobertura/inseminação a cada 48
horas. Esse intervalo é suficiente, já que os espermatozóides
sobrevivem por esse tempo dentro do trato reprodutivo da fêmea. Se
ela ovular durante esse período, os espermatozóides estarão viáveis.
Quanto aos garanhões, evite mudanças no seu manejo. Procure sempre
deixar o trato dele para o mesmo cavalariço, e esse mesmo deve
levá-lo para a cobertura. Faça as coberturas nas horas mais frescas
do dia, como as primeiras horas da manhã e o final de tarde. Cada
propriedade tem seu protocolo de reprodução, mas nos locais de muita
demanda, o macho pode ser usado 2 vezes ao dia, 5 a 6 vezes por
semana, devendo ter pelo menos 1 dia de folga. Em locais de menor
demanda, pode ser usado 3 vezes por semana, em dias alternados.
ESCOLHENDO AS MATRIZES
Teoricamente, os pais contribuem com 50% dos genes da prole cada um.
Mas alguns consideram que a fêmea colabora com uma parte maior, já
que esta exerce influência física e comportamental no potro,
incluindo gestação, nascimento e lactação. Por essa razão, a escolha
da matriz deve ser muito cuidadosa. A fêmea deve estar em boa
condição corporal (nem magra, nem gorda), vermifugada e vacinada. O
calendário de vacinação deve ser combinado com seu veterinário, mas
em geral, inclui raiva, tétano, garrotilho, aborto viral,
leptospirose e encefalomielite. É muito importante analisar a maior
quantidade de produtos de uma matriz, para ter certeza do melhor
cruzamento. Boas matrizes têm partos sem problemas, filhos premiados
e também produzem bons garanhões.
ESCOLHENDO O GARANHÃO
O animal deve, antes de tudo, ser registrado na Associação de sua
raça, assim como a fêmea. Avalie também o maior número de filhos
possível e seu pedigree. Atenção aos padrões físicos da raça. O
macho também deve ser vacinado e vermifugado, além de ser importante
o laudo de um veterinário, atestando sua perfeita condição de saúde
e exame andrológico (boa qualidade de espermatozóides e avaliação do
trato reprodutivo). Além de todas essas avaliações individuais dos
pais, é muito importante estudar os melhores cruzamentos. Nem sempre
uma boa égua e um bom garanhão têm características compatíveis. E
nunca esqueça que um bom cruzamento não é nada, se não oferecer boa
criação, treinamento e alimentação a esse animal, já que 50% das
suas características provêm da genética e os outros 50% correspondem
ao meio ambiente. |
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Há
diferentes formas de reprodução nos cavalos. Discuta com seu veterinário
e com outros criadores sobre qual método é mais viável para você.
Aqui vamos discutir de uma forma bem rápida algumas das vantagens e
desvantagens de cada método.
COBERTURA NATURAL/ MONTA NATURAL
Vantagens: ainda é o método de maior fertilidade das
éguas, podendo atingir até 70%, quando houver um bom acompanhamento.
Desvantagens: custos e riscos no transporte da égua,
principalmente quando ela está com o potro ao pé. Quando a viagem é
longa, a égua ainda tem que ficar “hospedada” no Haras em que foi
coberta, aumentando ainda mais os custos. Em uma viagem longa, o risco
de reabsorção fetal é muito grande até os 50 dias de gestação.
INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL (IA)
Consiste na coleta artificial do sêmen, que pode ser utilizado “in
natura” ou diluído. Após a coleta, há deposição desse sêmen no trato
genital feminino.
Vantagens: diminui o risco de doenças sexualmente
transmissíveis; controle de qualidade do sêmen e da égua; aumento no
número de éguas enxertadas; diminui risco de acidentes durante a monta;
permite que garanhões com algum problema físico realizem coberturas.
Desvantagens: altos custos; requer total controle do
cio e ovulação, para que se aumente a taxa de prenhez com uma só dose.
A IA pode ser
feita com diferentes formas de conservação do sêmen:
- A Fresco: o sêmen é coletado por um veterinário através de uma “vagina
artificial” e preparado. Se diluído, pode inseminar 3 a 4 éguas. Pode
ser conservado por até 2 horas em temperatura ambiente, permitindo que
se use um garanhão que fique em uma propriedade próxima. Claro que com o
passar das horas a qualidade dos espermatozóides diminui.
- Resfriado: o sêmen é processado e diluído em uma substância contendo
açúcares, lipídeos e antibióticos, e colocado em um recipiente
resfriado. Deve ser conservado à temperatura de 4ºC e tem validade de 48
horas. A grande vantagem é que pode ser usado quando o garanhão está em
uma propriedade longe da fêmea. Mas requer habilidade para manipulação e
altos custos, além do transporte. A taxa de fertilização é de 40 a 50%,
em média.
-Congelado: o sêmen é preparado e congelado a -196ºC, em tanques de
nitrogênio líquido. A taxa de fertilidade não chega a 40%. Geralmente a
dose desse sêmen é paga “a todo risco”, ou seja, a fêmea estando prenhe
ou não. A vantagem é usar sêmen de animais importados, ou mesmo dos que
já morreram.
O controle da ovulação tem que ser ainda mais rigoroso nesse método,
além dos cuidados com a congelação e descongelação do sêmen. Se
possível, deve-se usar um endoscópio para depositar o sêmen diretamente
na entrada da trompa uterina, para aumentar a taxa de fertilidade.
Há ainda a Transferência de Embriões, que podemos abordar em outra
matéria.
GESTAÇÃO E PARTO
A cobertura realizada ou a égua inseminada é hora de prestar atenção à
gestação. 4 horas após a cobertura, o espermatozóide já está no caminho
para a fecundação, e fica nas trompas até o 6º dia, quando desce para o
útero novamente.
O diagnóstico da gestação pode ser feito aos 14 dias com o ultrasson e
19 dias pela palpação retal. As éguas gestantes devem ser separadas das
demais, e o exame de controle pr ultrasson deve ser feito mensalmente,
já que o maior risco de reabsorção fetal vai até os 90 dias.
A duração de gestação de uma égua é de 330-345 dias, podendo chegar a 12
meses quando coberta por um asinino. Próximo ao parto, a égua deve ser
vigiada, colocada em uma baia maternidade (mais ampla), com cama limpa e
mais macia. A égua demonstra alguns sinais antes de parir, fica inquieta
e as mamas ficam cheias de leite/colostro alguns dias antes do parto.
A maior parte dos partos ocorre à noite e, em geral, sem muitos
problemas. Mesmo assim deve ser observado, e se houver qualquer
dificuldade, talvez seja necessário ajudar o animal. Lembrando que éguas
de primeira cria requerem atenção especial nessa hora.
Nascendo o potro, ele tem mais ou menos meia hora para ficar em pé e
começar a mamar, já que o colostro é responsável por passar toda a
imunidade a ele.
NUTRIÇÃO X REPRODUÇÃO
A “superalimentação” é muito comum na gestação, assim como a
suplementação, muitas vezes desnecessária, já que a maior exigência
nutricional da égua se dá apenas no terço final da gestação. O que
sempre se esquece é que o período de maior exigência é durante a
lactação. Por mais estranho que pareça, nota-se que quanto mais gorda
está a égua no final da gestação, maior a perda de peso no início da
lactação.
A deficiência nutricional é até menos comum nas propriedades onde se
cria cavalos, mas é importante citar os problemas que pode acarretar:
irregularidade no cio, cio não fértil, abortos, nascimento de potros
fracos ou prematuros.
Mas o erro mais comum em animais em reprodução, ainda é o excesso da
proteína fornecida. Isso predispõe a um desequilíbrio hormonal, podendo
reduzir os índices de fertilidade. Nas éguas gestantes, pode induzir à
mortalidade embrionária.
No início da gestação, a égua pode ser alimentada com ração de animais
em manutenção, com 9% de proteína LÍQUIDA*. No terço final da gestação é
que esse nível deve subir para 12% de proteína LÍQUIDA*.
A mesma coisa acontece com o garanhão, já que níveis altos de proteína
podem aumentar os níveis de substâncias tóxicas, aumentando o risco de
alterar a qualidade dos espermatozóides. Nos garanhões em estação de
monta, os níveis de proteína LÍQUIDA devem ficar entre 12 e 13 %*.
(*)Os rótulos das rações costumam indicar
os nívies de Proteína BRUTA
Por isso que antes de administrar qualquer suplemento para seu cavalo
usado na reprodução é essencial o auxílio de um veterinário. Há, sim,
suplementos indicados durante esse período, mas nunca os ofereça por
conta própria.
Dra Maria Rita Azevedo
Fagundes
CRMV/SP 15.605
e-mail:
rita_vet25@yahoo.com.br |
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HiGIENE DO CAVALO |
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A
higiene diária do Cavalo é importante, não apenas para sua saúde,
mas também para seu bem estar. Seria muita pretensão nossa pensar
que apenas os humanos gostam de estar limpos, de banho tomado, usar
banheiro limpo, com a higiene pessoal em dia.
Os cavalos também precisam disto e mais, precisam estar escovados,
dormir em cama limpa e macia. Pensando dessa forma, não é tão
difícil melhorar a qualidade de vida do seu cavalo. Em suas devidas
proporções eles não gostam de nada diferente de nós.
Podemos começar com a cocheira: uma cama de serragem, de preferência
do tipo “maravalha” de madeira branca, sem qualquer resíduo químico,
deve ser limpa diariamente, e isto não é difícil conseguir. Basta
treinar o tratador a adotar algumas medidas básicas.
Pela manhã, devemos retirar as fezes feitas durante a noite e
também, o excesso de serragem molhada pela urina. Deixe exposta a
parte molhada durante uma hora e pouco, para que seque o chão,
evitando colocar serragem seca sobre o chão ainda molhado. Após a
remoção da serragem úmida e das fezes, revolva a cama, afofando-a
para que fique ventilada, confortável e ventilada.
Cocheira feita, é hora dos cuidados com o Cavalo. Comece com a
escovação. Use para isso a raspadeira na mão direita e a escova com
cabo de madeira na esquerda. Do alto do pescoço, use a raspadeira em
movimentos circulares contra o relógio, descendo em direção à
cernelha, dorso, garupa, barriga (alguns tem cócegas no vazio,
portanto cuidado). De vez em quando bata a raspadeira no cabo de
madeira da escova para retirar os resíduos de pelo e pó que se
acumulam. Passa para o outro lado e repita a mesma operação. A
seguir, passe a usar a escova, agora no sentido do pelo, em
movimentos vigorosos, considerando que a escovação é também massagem
e as duas juntas são importantes porque removem pelos mortos, restos
de matéria seca, removem os ácaros e evitam fungos.
Nas partes mais sensíveis como patas, virilha, use apenas a escova.
Esse contato diário ainda ajuda no manejo, a retirar cócegas e
habitua-lo ao contato conosco.
Chegou a vez dos cascos. O ideal é limpar duas vezes ao dia com o “limpa-cascos”,
aquela ferramenta com uma ponta de metal e uma pequena escovinha de
cerdas duras. O animal passou a noite na cocheira e deve haver
resíduos de cama úmida, meio ideal para proliferar bactérias e ovos
de moscas. Também, ao guardar o animal, limpe novamente após o
trabalho ou mesmo depois de ficar solto no piquete, para retirar
barro e verificar se não ficaram pedras, pregos ou qualquer outro
objeto que possa ferir a ranilha.
O banho deve ser dado após os exercícios, pois além de retirar o
suor e sujeira, ajuda a relaxar a musculatura. Use uma mangueira com
alguma pressão e shampoo ou sabão neutro. Deixe o animal amarrado em
uma sombra para se secar, para evitar que ele role no chão e se suje
novamente. Não guarde ele molhado na cocheira, pois a umidade,
associada a resíduos e poeira ajuda a proliferar fungos e ácaros.
Comece a dar ducha pelos boletos, patas, partes baixas para que
acostume à temperatura e pressão da água. No inverno dê banho na
hora mais quente do dia.
Uma parte importante que não deve ser esquecida no banho é bolsa
escrotal que deve ser limpa com água morna e um lubrificante O
acúmulo de secreções na bolsa predispõe a infecções e miíases
(bicheiras). Há uma técnica para facilitar a limpeza dessa região,
que é muito sensível, portanto, peça a seu veterinário que o ensine
na primeira vez, ou poderemos tratar do assunto em um próximo
artigo. Nas fêmeas, dê atenção e faça o mesmo procedimento entre as
tetas.
Outros cuidados simples de higiene que devem ser adotados são os
cochos. O cocho de água deve ser limpor diariamente, para evitar
limo. O cocho de comida deve ter cantos arredondados, para evitar
que se acumule ração velha, que fermenta e causa cólicas. Avalie
sempre se no meio dos fardos de feno e alfafa não vêm pregos e
pedaços de arame.
Esses são alguns cuidados simples e baratos, que previnem problemas
mais sérios e melhoram a qualidade de vida do seu cavalo.
Além disso, passa haver maior contato com o tratador e com o tempo,
um adquire mais confiança no outro.
Dra
Maria Rita Azevedo Fagundes
CRMV/SP 15.605
e-mail:
rita_vet25@yahoo.com.br |
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NUTRIÇÃO EQUINA |
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Alimentação
correta é a que mais se aproximar da vida natural
Para entendermos a
melhor forma de se alimentar os cavalos, devemos nos lembrar como
era sua vida na natureza. Eqüídeos, em geral, são presas na
natureza, estando, portanto, sempre vulneráveis ao ataque dos
predadores.
A maneira que esses animais encontraram para se alimentarem com a
maior segurança é estando sempre em movimento, se alimentando em
pequenas quantidades, durante 18 a 20 horas ao dia, exclusivamente
de volumoso (verde, capim) por serem herbívoros.
Colocando os animais para viverem em cocheiras, nós modificamos os
hábitos de vida e de alimentação. Mas, alguns fatores referentes à
natureza deles, têm que ser respeitados. Um desses fatores, é sua
anatomia, já que o estômago é relativamente pequeno para seu porte
(em média 12 litros), e fica em uma posição que não permite que o
cavalo vomite. Estes dois itens aliados podem levar a uma sobrecarga
e até à ruptura do estômago, se o animal for alimentado em grandes
quantidades, de uma vez só, principalmente se a refeição for
composta de concentrado (ração).
Para evitarmos os acidentes e oferecermos uma melhor qualidade de
vida aos cavalos, algumas regras devem ser seguidas:
1)
Como oferecer o
alimento: O Volumoso (verde) deve SEMPRE ser oferecido ANTES do
concentrado (ração), nunca junto. Se for oferecida antes a ração,
espere duas horas até dar o verde, isso porque a digestão do verde é
mais rápida. Se o cavalo comer ração e logo em seguida o verde, este
“empurra” a ração para o intestino grosso mais rápido e o cavalo
perde proteínas.
2)
Quantidade: deve
ser levado em conta o porte, idade, atividades, gestação. A teoria
do “Mínimo necessário”, não o “Máximo obrigatório” deve ser
respeitada, já que tudo em excesso pode ser prejudicial. Em média,
um cavalo para sua manutenção necessita de 1,5 a 2% do seu peso em
alimento, ao dia, divididos em concentrado, capim verde e feno. Isso
corresponde a 7,5Kg de matéria seca para um cavalo de 500Kg. O
essencial é que a quantidade de concentrado oferecido por
refeição não deve ultrapassar 2 a 2,5Kg. Para o feno, usamos a
regra básica de 1 fardo para cada dois animais adultos ou 3 potros,
ao dia.
3)
Qualidade: antes de
receber o feno na propriedade, avalie se não está muito ressecado,
se as folhas estão firmes (nelas que estão os nutrientes). Lembre
que o barato pode sair caro. O capim que se oferece cortado não pode
ultrapassar a altura de 2 metros, pois fica muito fibroso, o animal
não digere e pode causar cólica. A ração deve ser procedente de uma
empresa idônea, com controle da matéria prima e níveis de garantia
(umidade, energia, proteína, calorias, Cálcio, Fósforo...).
4)
Hora certa:
Respeitar sempre os mesmos horários para a refeição, isso evita o
risco de úlcera gástrica causada por estresse. De preferência, a
última refeição do dia deve ser composta só por volumoso, assim o
animal tem com o que se distrair, já que haverá um intervalo longo
até amanhecer. Sendo assim, a primeira refeição do dia pode ser
composta de ração.
5)
ÁGUA FRESCA E LIMPA
SEMPRE À DISPOSIÇÃO: já que a falta de água leva o animal à
morte muito mais rápido do que a falta de comida. E a água barrenta
pode causar cólica por acúmulo de terra no intestino. Um cavalo
consome de 15 a 35 litros de água ao dia. Uma égua prenhe consome o
dobro de um animal em manutenção.
6)
Sal mineral diariamente:
pois o animal não perde apenas água no suor, perdendo também sais. A
quantidade média é de 50g por animal, ao dia, misturados à ração, ou
à disposição em um cocho a parte. Prestar atenção, pois alguns
animais não apreciam o sabor e acabam não ingerindo.
7)
Qualquer suplemento
deve ser oferecido apenas com supervisão de um Médico Veterinário,
já que todo o excesso é tão prejudicial quanto a falta de um
nutriente, Seja esse suplemento Vitamínico, Mineral, Protéico,
Probiótico, Energético...
8)
Não submeter o animal
a mudanças bruscas na alimentação, uma eventual troca de ração
deve ser gradual.
Estes são os tópicos que considero mais importantes, qualquer
dúvida, é só mandar um e-mail e podemos discutir o assunto melhor!
Dra Maria Rita Azevedo Fagundes
CRMV/SP 15.605
e-mail:
rita_vet25@yahoo.com.br |
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CAVALOS ATLETAS - USO DE SUBSTÂNCIAS
PROIBIDAS |
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Um pouco da História
O uso de substâncias que provocam bem estar,
analgesia e melhora na performance esportiva, é conhecido desde
meados de 3000 a.C. Na Grécia Antiga, nos Jogos Olímpicos, 300 a.C.,
os corredores utilizavam um produto alucinógeno, à base de
cogumelos. Nas Batalhas dessa época, era comum os guerreiros usarem
substâncias à base de ópio para diminuir a dor e aumentar a coragem
diante das batalhas.
Nos animais, a tentativa de melhorar o desempenho dos cavalos surgiu
um pouco antes de Cristo, quando os tratadores utilizavam o “Hidromel”,
o que nada mais era que uma mistura de mel, aveia e água, aumentando
o suporte de glicose e hidratando o animal. Para mostrar ao povo o
rigor das leis, o Senado Romano punia com a crucificação o tratador
de cavalos que utilizasse o hidromel. A Morfina foi descoberta em
1806, e depois de 10 anos já era usada em cavalos.
Ao longo dos tempos, foram descobertas inúmeras drogas que
estimulavam os atletas e diminuíam as dores causadas por lesões. O
uso indiscriminado dessas substâncias teve como conseqüência a morte
muitos atletas, o que deu origem ao início das pesquisas para
descobrir essas substâncias , após as competições esportivas. O
primeiro método foi descoberto pelo químico russo Bukowski, em 1910,
no Jóquei Clube da Áustria, onde analisava a saliva dos cavalos.
Mas foi durante os Jogos Olímpicos que Tóquio, que um congresso da
Unesco iniciou o combate à dopagem, esboçando leis, controles e
punições.
(Fonte: Clínica Osmar Oliveira)
E a cada dia ouvimos mais casos de doping em competições esportivas,
como nas Olimpíadas de Atenas, onde o cavalo Waterford Crystal foi
desclassificado pelo uso de substâncias proibidas, dando a Medalha
de Ouro a Rodrigo Pessoa, com o garanhão Baloubet de Rouet.
Mas o que é “Doping” ou Dopagem? É a administração de qualquer
substância não permitida, com o objetivo de melhorar a performance
esportiva do animal, seja diminuindo a dor de alguma lesão pré
existente, seja conferindo maior explosão muscular ou capacidade
respiratória. Nunca devemos esquecer que o doping é uma prática
desonesta e punitiva, já que os animais devem competir em condições
de igualdade, prevalecendo aquele que estiver melhor preparado.
Hoje há milhares de drogas consideradas proibidas, e a cada dia os
laboratórios têm que se atualizar para detectá-las. Muitas dessas
drogas são usadas rotineiramente no tratamento dos animais, devendo
apenas ser usadas fora da época das competições esportivas, outras
podem trazer conseqüências graves para a saúde.
Alguns exemplos de substâncias proibidas:
• Drogas ilegais, opióides e estimulantes. Inclui Morfina e
Butorfanol. Alguns tranqüilizantes são utilizados para que o animal
fique mais tranqüilo durante a competição, mas sem alterar sem nível
de consciência.
• Anestésicos locais: Apesar de serem substâncias controladas, podem
ser usados fora do período de competição, mas muitas vezes são
usados de forma proibida, para bloquear a região atingida por uma
lesão, fazendo com que o cavalo não sinta dor enquanto corre.
Lidocaína e Xilocaína.
• Medicamentos usados rotineiramente em tratamentos, mas proibidos
durante as competições, por afetarem de alguma forma o desempenho do
animal: Antiinflamatórios (fenilbutazona), corticosteróides
(prednisona), broncodilatadores (clembuterol), diuréticos
(furosemida), antihistamínicos (difenidramina), mucolíticos/expectorantes
(guaifenesina), vasodilatadores (isoxsuprine) E uma classe dessas
substâncias proibidas merece atenção especial, já que constantemente
ouvimos casos de jovens que estão até morrendo, por usarem
medicamentos veterinários.
• Anabolizantes: são substâncias naturais ou sintéticas derivados da
testosterona, usados com o objetivo de aumentar a musculatura e
força física. Esses medicamentos existem porque têm sua função, mas
como os efeitos colaterais são graves, a maioria das vezes a melhora
do físico dos animais não mostra ter muitas vantagens, em relação
aos riscos.
Alguns efeitos: hepatotoxicidade, aumento da agressividade, aumento
da pressão arterial, parada de crescimento precoce em animais
jovens, aumento do colesterol. Quanto à parte reprodutiva, também
são notados alguns efeitos: masculinização das fêmeas, diminuição da
atividade dos ovários, cios irregulares, atrofia testicular,
diminuição da qualidade e quantidade de espermatozóides, entre
outros.
Conclusão
Devemos ter consciência das conseqüências do mau uso de algumas
substâncias para cavalos de esporte. Primeiro por se tratar de
ilegalidade e injustiça com outros animais na competição. Há também
o fato de a dor ser uma defesa do organismo, e se acabarmos com essa
dor, o animal pode fazer um esforço inadequado e agravar uma lesão
pré existente, podendo tirar para sempre o animal do esporte.
Existe uma conseqüência menos comentada, mas não de menor
importância, quanto à seleção de animais para a reprodução: uma vez
que os animais que recebem essas drogas têm um melhor desempenho,
acabam sendo selecionados, viram reprodutores, só que essas
características não serão passadas a seus descendentes.
Dra
Maria Rita Azevedo Fagundes
CRMV/SP 15.605
e-mail:
rita_vet25@yahoo.com.br |
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AS VANTAGENS DA MEDICINA VETERINÁRIA
PREVENTIVA |
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O custo para se manter
um animal é alto, isso todos nós sabemos. Quando se trata de
cavalos, há um custo fixo mensal, que inclui estabulagem,
alimentação, ferrageamento, cama, tratadores, trabalho, sem contar
alguma emergência quando é necessária a presença de um veterinário.
Sem a
pretensão de discutir a disponibilidade de gastos de cada
proprietário com seu animal, essa matéria tem como objetivo
demonstrar que a Medicina Veterinária Preventiva inclui sim alguns
gastos iniciais, como a compra de insumos e o acompanhamento de um
veterinário, mas que essa quantia é irrisória, quando comparada ao
custo de um tratamento (às vezes cirúrgico) e ao risco de se perder
o animal. Vale ainda lembrar aquele velho ditado popular "melhor
prevenir do que remediar".
A
seguir estão alguns exemplos de algumas medidas:
Vacinação:
Tétano, Influenza (Gripe), Encefalomielite, e Herpes são
exemplos de vacinas não obrigatórias, mas que têm grande
importância, uma vez que previnem doenças, que se não forem
tratadas podem chegar a ser fatais. O esquema de vacinação
depende do objetivo da criação, do local que vive o animal e da
disponibilidade de gastos; Esse esquema será tratado em uma
próxima matéria.
A vacinação anti-rábica é obrigatória também nos eqüinos,
devendo em algumas regiões do Brasil, ser realizada
semestralmente, nos meses de Maio e Novembro. É uma doença
fatal, que merece total atenção, por ser transmissível aos
humanos que mantiverem contato físico com o animal afetado, o
que chamamos zoonose.
Sempre que um novo animal entrar na propriedade e iniciar
contato com aqueles já existentes, é imprescindível que seja
apresentado o atestado de vacinação prévia, assinado por um
Médico Veterinário, indicando validade e lote da vacina. Não
sendo apresentado o atestado, o proprietário do novo animal deve
ser notificado da necessidade da vacinação.
Para que seja garantido o sucesso da vacinação, são necessários
alguns cuidados, como a procedência da vacina, a conservação, o
exame físico do animal e a aplicação realizada por um
profissional qualificado.
Muitas vezes, pessoas com prática acham que podem fazê-lo e até
sabem aplicar uma injeção. Mas caso ocorra uma reação adversa,
será que sabem o que deve ser feito?
Vermifugação:
também fazendo parte da Medicina Veterinária Preventiva, a
vermifugação tem como objetivo a prevenção de parasitas responsáveis
por danos causados aos animais, tais como, perda de peso, má
qualidade da pelagem (perda do brilho natural), chegando até a uma
cólica de ordem grave.
O esquema de vermifugação fica a
critério da propriedade, variando de acordo com o número e fluxo de
animais. A média de aplicação é a cada 90 dias, sendo importante a
troca do vermífugo, devendo se alterar sempre o princípio ativo, de
forma a evitar a resistência do parasita a determinada droga.
Sempre que um novo animal for inserido a um grupo já tratado, vale o
mesmo critério da vacina.
Ferrageamento: deve ser realizado por profissional
idôneo, de preferência com referências, dadas as conseqüências de um
ferrageamento mal executado. A ferradura deve ser trocada em média a
cada 30 a 40 dias.
Controle de Anemia Infecciosa Eqüina (AIE): A AIE é uma
doença grave, de notificação obrigatória ao Ministério da
Agricultura, devendo o animal afetado ser sacrificado e a
propriedade fechada por até 6 meses. O exame é válido por 2 meses, e
deve ser realizado independentemente da inscrição do animal em
provas, mas sempre que um novo animal for inserido na propriedade.
Alimentação: é importante que seja de boa
qualidade, bem armazenada, livre de umidade e contato com insetos e
redores. O volumoso (verde) também deve ter a qualidade controlada,
o feno deve ter coloração verde e o capim deve ser composto de
espécies indicadas para eqüinos. O sal mineral é essencial . As
conseqüências da alimentação não adequada incluem diarréia, cólica,
sintomas nervosos, até a morte. A água deve estar à disposição,
limpa e fresca, além do bebedouro ser limpo semanalmente.
Seguidas essas medidas, muitos inconvenientes podem ser evitados, e
o custo inicial que parecia ser uma barreira, se mostra irrisório,
levando-se em conta os riscos e o custo de um animal doente.
Dra Maria Rita Azevedo Fagundes
CRMV/SP 15.605
e-mail:
rita_vet25@yahoo.com.br |
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