Ferrageamento

 

   
Ferrar sem prejudicar
Alguns cuidados para ferrar com responsabilidade o seu cavalo estão a seguir:

1 - Conheça o ângulo da paleta do seu cavalo antes de se aventurar cortando o casco. Apare os cascos anteriores (mãos) e tente colocá-los com o mesmo ângulo da paleta. Confira o ângulo dos cascos com um gabarito angulador de casco. Os ossos digitais devem ser alinhados, de forma que colocando-se uma linha reta do meio do boleto e meio da quartela (falanges) ela deve passar pelo emio do casco, alinhada com as suas cânulas naturais (linhas verticais do casco). No casco achinelado as linhas do casco não concindem com este alinhamento da quartela , porque o casco tem ângulo menor do que a paleta e a linha é quebrada para baixo (lado do chão).

2 - Limpe a sola, abra os 3 canais da ranilha de forma a deixar passar o dedo mínimo para entrar ar , obtenha a concavidade da sola e não corte jamais as barras, pois ela são a continuidade da muralha de sustentação e garantem 30% da sustentação do cavalo.

3 - Assegure que os cascos estão balanceados no sentido médio-lateral ( largura) e ântero-posterior ( comprimento). As metades do casco esquerdo, por exemplo, devem ser iguais, assim como os comprimentos desde a pinça até cada um dos talões. Depois confira para que os cascos dianteiros sejam iguais entre si. Quando aparar os cascos traseiros, siga as mesmas instruções. Assim, quando o cavalo coloca o casco no chão ambos os talões apoiam no chão ao mesmo tempo e o casco rola a pinça no meio, o desgaste da ferradura ocorre exatamente na frente e o vôo ou breakover é elegante e para a frente (avante).

4 - Escolha a ferradura de acordo com as necessidades do cavalo e ajuste-a ao casco bem aparado. A ferradura deve proteger toda a muralha de sustentação, apoiando-se até o final do talão, sem obstruir os canais da ranilha e possibilitando expansão da muralha nos quartos e talões. Nos posteriores, a ferradura pode ter ligeiro sobrepasse de talões, nos animais de talões fracos ou escorridos, de forma a dar maior base de sustentação para o cavalo. A mesa da ferradura é escolhida de acordo com a atividade do cavalo. Mesa estreita (filete) para corrida, mesa média ( 17mm) para trabalho, treinamento e lazer e mesas mais largas para esbarro( 25mm) ou tração. O material da ferradura ( aço, alumínio puro, liga de alumínio, poliuretano com alma de alumínio e outros metais especiais), bem como os demais acessórios ( guarda casco, agarradeiras, palmilhas, talonetes e até rampão) devem ser escolhidos de acordo com a atividade , de preferência com conhecimento, para não prejudicar a performance do
animal.

5 - Fixe a ferradura com o cravo adequado, escolhido de acordo com a espessura da ferradura e com o canal ou craveira, de forma que a cabeça do cravo fique totalmente embutida na concavidade do buraco ou canal da ferradura. Os dois últimos cravos a serem pregados não devem ultrapassar a "linha do juízo do ferrador", ou seja, a linha imaginária que une o final dos médios do casco, antes dos talões. Complicado? Não. Imagine o meio da ranilha, com o casco levantado, e trace uma linha para os dois lados. Ela passará sobre a muralha de sustentação (onde a ferradura apoia) exatamente no lugar dos últimos cravos, em cada lado da ferradura. Esta é a " linha do juízo do ferrador".

6 - Depois de bater os dois primeiros cravos (ombros) e os dois últimos ( talões) da ferradura, bata o guarda casco (se houver). Apoie o casco com a ferradura no chão e observe se a linha imaginária que passa pelo meio do boleto, da quartela e do casco (eixo ântero-posterior do digital) está reta. Se estiver tudo bem, pregue os demais cravos, lembrando que uma boa ferradura terá, no mínimo, 5 furos de cada lado e furos nos talões para colocar agarradeira ou cravar talonetes , calços para corrigir aprumos ou palmilhas. Ferradura barata com três ou quatro furos de cada lado nem sempre atende as necessidades do seu cavalo.

7 - Por último, mas não menos importante, depois de acabar de fazer o serviço, não esqueça de repor o verniz dos cascos com o CASCOTÔNICO, para devolver também a flexibilidade, incentivar o crescimento e proteger a sola, paredes e ranilha contra as brocas , frieiras e podridão.

Estas são as principais dicas para você fazer ou gerenciar o ferrageamento dos seus cavalos.
Se os termos usados são familiares a você e ao seu ferrador, parabéns, você está dominando o assunto. Mas, se houver dúvida, venha fazer um curso no Centran Toledo, para aumentar a performance dos seus animais, com o mínimo de afecções. Lembre-se , que o ferrador que não é competente, ferra o dono e o cavalo...

Fonte: Centran Toledo - Treinamos ferradores desde 1984.
Cursos Mensais: (12) 3922 4921

 
Sustentação dos eqüino
Em se tratando de cavalos domesticados, a grande maioria tem sido vítima dos métodos empíricos e antinaturais de aparação de cascos e ferrageamento, com características que contrariam o processo natural de sustentação mecânica do cavalo. Os prejuízos resultantes, comumente enquadrados nas afecções ou contusões do sistema locomotor, chegam, hoje, à cifra de 80% nos anteriores, que sustentam cerca de 65 a 70% do peso vivo do animal. Em certas fases da locomoção, o animal é suportado por apenas um dos locomotores e os efeitos naturais da concussão e compressão, causadas pelo peso do submetido ao locomotor, são danosos às bases inadequadas do cavalo.
As estatísticas conhecidas comprovam a importância de dar ou devolver ao cavalo a sua condição anatômica ideal. Nem sempre o casco aparado empiricamente ou o ferrageamento conseqüente estão dando ao cavalo condições ideais de sustentação, e, os seguintes pecados capitais podem ser identificados:

Não conhecer a condição anatômica ideal de cada cavalo antes de incia a aparação de casco e o ferrageamento. Esta condição é dada pelo ângulo da paleta (escápula) com a horizontal, medida pelo nível de escápula ou artro-goniômetro.

O eixo ântero-posterior do sistema digital (linha imaginária que divide ao meio o boleto, a quartela e o casco) é quebrado para baixo e não reto como deveria ser, para que o digital suportasse a força de concussão do casco com o solo. Esta característica é o resultado de cascos compridos de pinça longa e t alões baixos (achinelados), que provocam pressão intensa na parte anterior das articulações dos ossos digitais ( falanges), distenção constante de tendões flexores, compressão excessiva da área do osso navicular e alteração do vôo do casco.

As barras são, em geral, cortadas pelos casqueadores, que desconhecem as suas funções. Elas são a continuação da muralha de sustentação e têm a finalidade de transmitir o peso para a perifieria do casco e de constituir um escoramento ideal para impedir o estreitamento dos talões e bulbos. A ausência de barras concentra o peso sobre os talões e ranilha.

As solas do casco, com os problemas vistos anteriormente, perdem a concavidade, são grossas e planas, sem muita flexibilidade e capacidade para absorver choques e sustentar o peso. A falta de concavidade diminui as ações de expansão e contração do cascos.

Como a angulação do casco e sistema digital não é medida e comparada com a condição anatômica ideal do cavalo que é dada pelo ângulo da paleta (escápula), o animal, muitas vezes,
não tem o plano de sustentação ideal, colocando o casco de forma inadequada no solo.
Esta condição aliada à condição de termos cascos desbalanceados, com metades desiguais, é conhecida como desbalanceamento médio-lateral. A parte do casco que tóca o solo por último é a que se desgasta mais, porque recebe maior esforço e atrito durante o movimento.
O desbalanceamento é a causa de cascos tortos, dos vícios de movimentação dos locomotores e dos problemas de aprumos.
O casco balanceado deve ter as metades iguais e os comprimentos entre cada talão até a pinça também iguais.

A abertura dos canais da ranilha (lateral, central e medial) é fundamental para o arejamento da sola (maior entrada de ar), e facilidade para o movimento de abre e fecha dos talões do casco e do trabalho de junta de dilatação da ranilha.
O canal central da ranilha quando fica fechado é foco de frieira ou pododermatite exudativa que amolece a ranilha, provoca mau cheiro e prejudica a performance do animal, sobretudo em piso de areia.

Não repor o verniz das partes raspadas pela grosa ou outras ferramentas usada na aparação do casco. O verniz é a proteção que garante a taxa de evaporação e a umidade necessária ao casco. A falta de verniz provoca o ressecamento e as rachaduras, devido a deficiência de keratina. O único produto que incorpora a tecnologia de devolver o vitrificado das partes raspadas é o Cascotônico, que penetra na matéria córnea devido à sua forma líquido-oleosa, tendo, ainda, ação bactericida, fungicida e de enrigecimento controlado do casco e ranilha.
O Cascotônico possui em seu principio ceras e óleos vegetais e animais que incentivam o metabolismo de crescimento e renovação dos tecidos.

Fonte:Centran Toledo - Treinamos ferradores desde 1984.
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Cascos achilenados
Com os estudos da biomecânica da locomoção dos eqüínos ficou comprovado que os métodos de aparação de cascos de ferrageamento, empíricos e que não respeitam a condição anatômica ideal dos cavalos, mantêm as pinças compridas e os talões baixos . Este método de aparação utilizado por falta de conhecimento ou por modismo é prejudicial à vida útil dos vários tecidos que compreendem o sistema locomotor, diminuindo a performance e a vida útil dos cavalos atletas.

As estatísticas mostram que, de cada 100 problemas diagnosticados nos locomotores, 80% estão nos membros anteriores e a grande maioria do joelho para baixo. A grande causa é a falta de alinhamento do sistema digital devido ao ângulo do casco menor do que o ângulo da paleta com a horizontal.

A pinça longa e os talões baixos, ocasionados pelo ângulo do casco menor do que o ângulo da paleta ou escápula, provoca um esforço maior de sustentação nos tendões flexores, ou seja, um braço de alavanca maior para suportar o peso de cima para baixo, que tenta jogar o boleto até o chão.

Os cavalos mais afetados são os atletas em corridas, salto, laço, esbarro, tambor e apartação, que usam os anteriores na propulsão ou paradas bruscas. O stress é maior no tendão flexor profundo devido ao atrito na região dos ossos sesamóideos e navicular.

Imagine o esforço no membro dianteiro em uma remada de mão do cavalo de corrida na reta final, um esbarro de quarto de milha quando o laço tem um novilho preso em sua ponta ou o esforço da puxada para virar o boi em uma vaquejada.

Quanto vale errar alguns graus na aparação do casco de um cavalo?

A tabela a seguir mostra que cada grau de achinelamento equivale a dezenas de quilogramas a mais nos tendões flexores. Coisa que poucos profissionais têm noção.

Os valores a seguir foram estimados para um cavalo atleta de porte médio - 500 Kg de peso vivo (PSI ou BH). Os efeitos podem ser maiores nos animais para hipismo e tração de grande porte.

Ângulo Digital
Alçamento em graus
Alívio tendões(Kg)
Alívio (%)
40
40>>60 = 20
129,5
37
45
45>>60 = 15
112,0
32
50
50>>60 = 10
87,5
25
55
55>>60 = 5
49,0
14
58
58>>60 = 2
17,5
5
59
59>>60 = 1
10,5
3

(*) Fonte A .P.Toledo - Alívio nos tendões anteriores de animal de 500 Kg de peso vivo com 350Kg nos anteriores (em repouso), com condição anatômica de 60 graus (inclinação de escápula) e cascos anteriores de comprimento 15 cm.

Conclusão:
1 - Respeite a condição anatômica ideal do seu cavalo.
2 - Conheça o ângulo da paleta e procure aparar o casco monitorando o serviço com um gabarito angulador de casco.
3 - Desconfie do profissional que diz ter olho clínico e que não apresenta maiores conhecimentos de sustentação e locomoção.
4 - O erro de apenas 1 grau representa muitos quilos a mais nos tendões flexores do seu cavalo.
5 - O cuidado consciente da aparação e do ferrageamento aumenta a performance do animal e diminui o risco de afecções.
6 - Devolva sempre o verniz raspado pelas ferramentas de aparação. Use o Cascotônico que devolve o verniz, tem ação lubrificante, bactericida e incentivadora do crescimento e renovação da matéria córnea do casco e ranilha.
7 - Com uma aparação adequada dos cascos e com a escolha das ferraduras e dos cravos que atendam as necessidades do cavalo o seu animal terá o máximo de performance com o mínimo de afecções.
 

Fonte:Centran Toledo - Treinamos ferradores desde 1984.
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O alcance dos cascos
Quando o casco deixa o chão e inicia o seu vôo, dependendo do ser ângulo e do alinhamento do eixo digital (eixo ântero - posterior), o deslocamento do locomotor ou passada pode acontecer de três maneiras básicas.
No primeiro caso (Fig. 1A), com o casco aparado naturalmente, quando os ossos digitais estão alinhados e o animal está na sua condição anatômica ideal, o vôo do casco acontece segundo um semi-círculo, com o centro abaixo do plano do solo. É como andar de bicicleta, onde o pé voa elegantemente seguindo sempre a mesma trajetória. O auge do vôo ou ponto mais alto se dá exatamente em frente ao locomotor contrário que se encontra, em baixo, apoiado.
Nesta condição o cavalo anda com elegância, avante e com o seu rendimento máximo.

No segundo caso (Fig. 1B), quando o eixo digital é quebrado para baixo, indicando um casco com ângulo menor do que a paleta (achinelado), o tendão flexor profundo está mais esticado do que o normal e o casco voa para cima, quando o animal retira o casco do chão, no início do vôo. Neste caso, dizemos que o animal alça o casco ou arpeja. O andamento fica deselegante, como se estivesse batendo tambor e o rendimento fica prejudicado em função do alçamento.

No terceiro caso (Fig. 1.C), quando o casco é mais fincado (ângulo do digital maior do que a paleta), o eixo digital é quebrado para cima e o tendão extensor, na parte anterior do locomotor, está sobretensionado.
Quando o animal retira o casco do chão, esse tendão tende a aliviar o esforço sobre ele e adianta o ponto máximo da trajetória (vôo do casco). Neste caso, o animal tem andamento rasteiro e chuta a grama ou o chão com a ponta do casco. Este andamento é muito comum nos posteriores dos muares.

Desta forma, vemos uma grande quantidade de cavalos que apresentam o problema de sobre alcance ou que batem castanhola quando andam, ou seja, o casco posterior alcança o anterior antes que este saia do chão, no início da passada.
Isto acontece quando o casco posterior fincado avança em vôo baixo para a frente (adianta a sua trajetória) e o casco anterior achinelado demora para sair do chão (atrasa a sua trajetória) devido a problemas de aparação incorreta.

Da mesma forma, podemos corrigir o problema com a aparação consciente dos cascos, respeitando a condição anatômica ideal do cavalo. A correção é feita, inicialmente, aumentando o ângulo do casco anterior e verificando com o gabarito de casco o ângulo ideal, igual ao da paleta, após a aparação.
O mesmo deve ser feito no casco posterior, diminuindo o ângulo do casco e verificando com o gabarito de casco o ângulo ideal, igual ou maior do que a paleta, após a aparação.

Assim, a aparação consciente dos cascos evita muitos problemas de locomoção dos cavalos atletas, que podem, ainda, resultar em afecções do sistema locomotor.

A Toledo tem produtos, equipamentos e cursos mensais sobre o assunto, formando ferradores há 18 anos no Centran Toledo. Fale conosco

Fonte: Centran Toledo - Treinamos ferradores desde 1984.
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Casquemanto em potros nos primeiros 6 meses
Este artigo foi escrito por Elaine Aparecida Buzato, formada pelo curso de Ciências Eqüinas da PUC do Paraná. O objetivo do estudo é demonstrar os benefícios do casqueamento em potros de até seis meses de vida.
A correção de aprumo dos cascos significa mudança permanente de conformação e não pode ser feita em cavalos maduros. De fato, essas tentativas de correção em eqüinos adultos causam manqueiras imediatas, assim como, defeitos permanentes em longo prazo. Mas alguns problemas de conformação podem ser corrigidos em potros e os que nascem com aprumos corretos podem ser mantidos assim. Muitos potros que possuem boas pernas podem se tornar tortos por negligência ou casqueamento impróprio.

 

Figura 1 – Placa de crescimento

 
O segredo de quando e como tentar corrigir pelo casqueamento é ter conhecimento das estruturas chamadas Placas de Crescimento, que são localizadas perto do final de cada osso da perna do cavalo. Estas placas produzem células que crescem e se alinham durante a ossificação, que é a formação óssea. Enquanto as placas estão produzindo cartilagem, são consideradas “abertas”, e uma vez que a produção pára, são denominadas “fechadas”. As forças sobre estas placas são muito importantes na determinação da conformação e estrutura do cavalo. Pressão normal, equilibrada e constante sobre as placas resulta em um crescimento correto. Já uma pressão desequilibrada tem como conseqüência um crescimento incorreto.

Alguns aspectos têm que ser considerados:

Peso e crescimento - Os potros crescem com rapidez. O ganho de peso acelerado pode dar origem a irregularidades no desenvolvimento dos aprumos, comprometendo o crescimento ósseo. Determinar o quanto essa rapidez se imprime no desenvolvimento do potro facilita a obtenção de melhores resultados na correção de aprumos.
O período de crescimento de maior intensidade está compreendido nos primeiros três meses de vida. A intensidade cai lentamente durante os três meses seguintes e também, de novo, nos próximos seis meses.
Diversos estudos têm determinado o crescimento dos potros sobre a porcentagem do peso adulto final. Os potros Puro Sangue Inglês, por exemplo, alcançam cerca de 50% do peso adulto aos 6 meses de idade.

Tabela 1 – Taxas previstas de ganho médio de peso nos primeiros seis meses de vida.

Idade Peso Ganho diário
Nascimento 60 kg  
30 dias 105 kg 1,5 Kg/d
60 dias 144 kg 1,3 Kg/d
90 dias 180 kg 1,2 Kg/d
120 dias 210 kg 1,0 Kg/d
160 dias 255 kg 0,88 Kg/d
180 dias 260 kg 0,83 Kg/d
PC = Peso corporal / GD = Ganho diário

O crescimento expressado na forma de ganho médio diário é muito rápido no início da vida e diminui radicalmente quando o cavalo alcança os 18 meses de idade.

Nutrição - A deficiência nutricional, excesso ou desequilíbrio de nutrientes afeta adversamente os ossos e as cartilagens. A energia, ao lado da proteína, é o principal fator que influencia a média de crescimento do animal. As médias de crescimento mais rápido exigem concentrações mais altas de nutrientes indispensáveis à síntese dos tecidos. Alta energia significa dietas glucogênicas também altas, que parecem alterar as secreções hormonais normais insulina, triiodotironina (T3), tiroxina (T4). Esses hormônios influenciam o crescimento e a maturação da célula da cartilagem.

Figura 2 – Crescimento ósseo

Restringir a entrada de energia em um cavalo em crescimento irá reduzir a média de crescimento do animal e baixar a necessidade do animal para outros nutrientes essenciais. Cálcio e fósforos são macrominerais essenciais para o crescimento e o desenvolvimento dos ossos em cavalos. A falta da mineralização óssea também ocorre quando existe desequilíbrio entre o cálcio e o fósforo.

Discussões e Conclusões

Quando se cuida de potros, é extremamente importante manter a pressão natural nas placas de crescimento. Para isso, o trabalho do ferreiro é essencial.

Antes de fazermos correções, devemos ter certeza de que o potro realmente precisa, sendo recomendado que essa análise seja realizada por um ferreiro experiente, por um médico veterinário ou por um hipologista. Um detalhe que se deve levar em conta é o fato de que não é natural para os cascos de um potro apontar direto para frente. Os cascos dos membros anteriores devem estar virados para fora entre 10 e 15 graus, bem como alinhados com a face plana do joelho. Isso porque com o desenvolvimento do tórax, as escápulas vão se distanciando uma da outra, fazendo os membros girarem para dentro. Quanto aos cascos dos membros posteriores é natural que sejam levemente voltados para fora.

Figura 3 – Aprumos corretos

Por ser uma mudança permanente na conformação, a correção não deve ser feita em cavalos adultos, sendo o limite ideal máximo de idade 2 anos, quando as placas de crescimento responsáveis pela formação óssea é interrompido.
Daí se compreende a importância do acompanhamento, por parte do ferreiro, do crescimento dos cascos nos potros logo a partir dos primeiros dias. Nesta idade, grosar o casco pode ter um valor incalculável, evitando meses em tentativas de correções dos aprumos.
O casqueamento deve ser feito freqüentemente. Potros com até um ano de idade produzem o dobro de parede do casco que o cavalo adulto. Conforme o casco fica mais comprido, ele se quebra com maior facilidade. Se um lado do casco se quebra, ele terá um desequilíbrio e causará uma pressão desigual nas placas, podendo alterar a conformação. É recomendado casquear os potros normais a cada 28 dias e os que apresentam desvios, a cada 14 dias, até normalizar os defeitos.

É preciso haver um equilíbrio apropriado para o casco. Um casco bem equilibrado distribui o peso igualmente e absorve o impacto de uma maneira uniforme.

Ao contrário do que se pensa, os potros devem ser casqueados já desde os primeiros dias de vida. Quando o acompanhamento é feito de forma correta, os problemas são detectados a tempo de serem corrigidos. Isso acontece porque a estrutura óssea dos animais, até os 6 meses de vida, é extremamente maleável, como se fosse um galho verde, permitindo com isso que através das técnicas corretas de casqueamento, ferrageamento e de cirurgia as correções sejam bem sucedidas.

CASQUEAMENTO EM POTROS NOS PRIMEIROS 6 MESES
Autora: Elaine Aparecida Buzato

Orientador do Projeto – Luis Mario Pires de Souza
Colaborador – Divanil Kletlingller
Curso de Ciências Eqüinas - Pontifícia Universidade Católica do Paraná

 

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